sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

O significado da cruz para os cristãos orientais


MUNDO MUÇULMANO - Levando em consideração o caso recentemente divulgado da funcionária da British Airways que foi suspensa por se recusar a tirar ou cobrir um colar com um crucifixo, esse artigo trata do significado da cruz para comunidades cristãs no mundo muçulmano.
No Ocidente, mulheres usam, freqüentemente, um crucifixo simplesmente como uma jóia moderna, mas, para os cristãos no Oriente Médio, que resistiram a catorze séculos de opressão islâmica, a cruz tem uma simbologia profunda de identificação com sua fé, sua igreja e sua comunidade.
Enquanto que para os muçulmanos a cruz é um símbolo odiado de uma religião “falsa”, religião essa que foi alvo dos exércitos muçulmanos no primeiro ataque violento islâmico e que, mais tarde, respondeu militarmente nas Cruzadas sob esse símbolo, para os cristãos de igrejas antigas no Oriente Médio, que já sofreram muito, a cruz significa sua identidade como uma comunidade cristã. Para esses cristãos, a cruz simboliza os longos séculos de perseguição e martírio, e sua lealdade à sua igreja perante a perseguição muçulmana. A cruz se tornou um símbolo da essência do seu “cristanismo” e uma marca extrema de identificação que os difere da maioria, geralmente, hostil.
O ódio muçulmano pela cruz é evidente na hadith (tradições), que profetiza à fé muçulmana que, no fim dos tempos, Jesus irá reaparecer como um muçulmano e quebrará todas as cruzes. Na história, por exemplo, o califa al-Mansur (754-775) proibiu que a cruz fosse exibida em público e destruiu algumas cruzes que ficavam no topo de algumas igrejas. A proibição de exibir a cruz em público continua em vigor, atualmente, na Arábia Saudita. O califa al-Hakim (996-1021) obrigou cristãos a usarem uma cruz de cinco pontas em seus pescoços como um sinal de humilhação.

“Marcas indestrutíveis”

Cristãos coptas no Egito vêem sua cruz como a maior vitória de sua igreja e como um símbolo de seu longo martírio. Eles tatuam a cruz no pulso direito, como forma de orgulho e oposição, como uma marca indestrutível de sua identificação com sua comunidade e igreja, apesar de saberem que essa marca visível pode trazer desprezo e discriminação na sociedade em que vivem, onde a maioria é muçulmana.

“Muitos de nós temos essas cruzes no pulso. Temos certeza que uma perseguição grave atingirá o Egito e não temos certeza se poderemos enfrentá-la. Escolhemos ter marcas indestrutíveis como seguidores de Cristo para que nunca possamos renegá-lo, nem mesmo em nossos momentos de fraqueza.”

Às vezes, os ataques físicos a cristãos no Egito são focados na tatuagem da cruz em seus pulsos. Por exemplo, em abril de 2005, uma garota copta de 17 anos foi seqüestrada por um grupo extremista islâmico (o seqüestro e a conversão forçada de jovens coptas é um problema grave no Egito). Durante 23 horas, ela foi drogada, estuprada e tentaram remover a tatuagem dela com uma tesoura.
Enquanto que para os cristãos protestantes o símbolo físico da cruz não é uma questão essencial de fé, para muitos cristãos no mundo oriental, isso ainda continua sendo um símbolo forte da morte e ressurreição de Cristo, a alma de sua fé. Ao usá-la, eles se identificam com Cristo e com sua humilhação e sofrimento.




Tradução: Léia da Silva



Fonte: Portas Abertas e Barnabas Fund

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